Pesquisadores identificaram, com dados do Telescópio Espacial James Webb, uma das galáxias espirais com barra estelar mais antigas já observadas pelo ser humano. A descoberta ajuda a entender quando esse tipo de estrutura começou a se formar no Universo.
O estudo foi liderado por Daniel Ivanov, estudante de pós-graduação em física e astronomia da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
A galáxia analisada, chamada COSMOS-74706, existia há cerca de 11,5 bilhões de anos, o que significa que suas estruturas se formaram aproximadamente 2 bilhões de anos após o Big Bang.
A principal característica observada é a presença de uma barra estelar — uma concentração linear de estrelas e gás que atravessa o centro da galáxia. A Via Láctea, onde está a Terra, também possui esse tipo de estrutura.
Segundo Ivanov, a descoberta é importante porque define um limite mais preciso para o surgimento das barras estelares no Universo. “Essa galáxia já estava desenvolvendo uma barra apenas dois bilhões de anos depois do nascimento do Universo”, afirmou o pesquisador.
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As barras estelares não são objetos isolados, mas regiões densas que influenciam a evolução das galáxias. Elas ajudam a direcionar gás das regiões externas para o centro, podendo alimentar buracos negros supermassivos e reduzir a formação de novas estrelas ao longo do disco galáctico.
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Embora outros estudos já tenham sugerido a existência de galáxias semelhantes ainda mais antigas, os pesquisadores destacam que, neste caso, a confirmação foi feita por espectroscopia, um método mais preciso de análise da luz. Além disso, a galáxia não teve sua imagem distorcida por lentes gravitacionais.
De acordo com Ivanov, trata-se da galáxia espiral com barra confirmada por espectroscopia mais distante já registrada. A pesquisa foi apresentada oficialmente no dia 8 de janeiro.